Queda no conhecimento digital aumenta risco cibernético nas empresas

6 de jan. de 2026

Queda no conhecimento digital aumenta risco cibernético nas empresas

Enquanto as empresas investem milhões em firewalls de última geração, Inteligência Artificial para detecção de ameaças e arquiteturas zero trust, uma vulnerabilidade crítica e silenciosa está se expandindo para além do controle da TI: o fator humano.

Estudos recentes apontam que o Brasil registrou uma queda significativa no conhecimento sobre segurança digital e privacidade. O país, que já figurava entre os que possuíam bom nível de conscientização, viu seus índices recuarem, acendendo um alerta vermelho para gestores de risco e CISOs.

Essa queda no conhecimento digital não é apenas um problema do usuário doméstico que clica em links suspeitos ou compartilha senhas de streaming. É um risco sistêmico para as corporações. Quando colaboradores, parceiros e stakeholders perdem a capacidade de identificar ameaças básicas, a superfície de ataque humana da empresa se torna exposta.

Para as organizações, ignorar esse dado é perigoso. A tecnologia mais avançada da atualidade não pode proteger uma empresa se a pessoa por trás do teclado não souber reconhecer um golpe.


O cenário brasileiro

O Teste Nacional de Privacidade (NPT) da NordVPN revelou que, globalmente, o conhecimento sobre cibersegurança diminuiu, e o Brasil seguiu essa tendência negativa, caindo posições no ranking de conscientização.

Mas por que isso está acontecendo em uma era tão digital? Especialistas apontam para a fadiga de segurança e a sofisticação das ameaças. Com a IA criando golpes cada vez mais perfeitos, como deepfakes e phishing contextual, as regras antigas de olhar o remetente do e-mail ou verificar erros de português já não funcionam mais. O usuário médio se sente sobrecarregado pela quantidade de senhas, autenticações e alertas, o que leva a um relaxamento nos cuidados básicos.

Além disso, a massificação de dispositivos IoT e a hiperconectividade criaram uma falsa sensação de segurança, onde muitos acreditam que os aplicativos e dispositivos já vêm protegidos de fábrica, dispensando a cautela humana. Essa complacência é o terreno fértil para invasores que exploram a falta de vigilância.


O impacto corporativo

A queda no conhecimento digital reflete diretamente no ambiente de trabalho. Um colaborador que não compreende os princípios de privacidade em sua vida pessoal dificilmente os aplicará na proteção de dados corporativos.

Os dados mostram que o Brasil teve um desempenho pior em questões cruciais, como a criação de senhas fortes e a identificação de sites seguros. No contexto empresarial, isso se traduz em vetores de ataque reais:

  • Credenciais vazadas (credential stuffing): Se o colaborador usa a mesma senha fraca no e-mail corporativo e em um site de e-commerce pessoal vazado, a empresa está exposta.

  • Shadow AI e vazamento de dados: O compartilhamento inadvertido de informações sensíveis, como planilhas financeiras ou código-fonte, em ferramentas de IA generativa públicas por falta de entendimento sobre privacidade e propriedade intelectual.

  • Ransomware via engenharia social: A incapacidade de identificar um e-mail de phishing sofisticado é o vetor inicial da maioria dos ataques de sequestro de dados.


Além do phishing: Os novos riscos da falta de cultura

A pesquisa destaca que a conscientização sobre quais dados os provedores de internet coletam e como as ferramentas digitais funcionam também caiu consideravelmente.

Isso cria um grande risco de compliance. Em um cenário de LGPD rigorosa, ter colaboradores que não compreendem o valor da privacidade ou o conceito de pegada digital coloca a empresa na mira de multas e danos reputacionais. Não se trata apenas de evitar um vírus, trata-se de evitar que um funcionário bem-intencionado exponha a base de clientes da empresa por falta de letramento digital ao utilizar ferramentas não homologadas ou ao conceder permissões excessivas a aplicativos de terceiros.


4 ações para resgatar a maturidade de segurança

Diante desse cenário de queda no conhecimento digital, as equipes de segurança precisam agir rápido. Palestras anuais e cartilhas em PDF não são mais suficientes para engajar uma força de trabalho saturada de informação. É preciso criar uma cultura ativa de defesa.

  1. Treinamento contínuo e gamificado

Abandone os treinamentos longos que são vistos apenas como burocracia. Adote microlearning (pílulas de conhecimento curtas e frequentes) e gamificação. Simule ataques de phishing controlados e premie quem reportar as ameaças, em vez de apenas punir quem clicar. Transforme a segurança em uma competição saudável.

  1. Foco na higiene digital básica

Volte ao básico. Reforce a importância de senhas únicas, o uso obrigatório de MFA (Autenticação Multifator) e a atualização de softwares. O estudo mostra que é no básico que as pessoas estão falhando, negligenciando atualizações de sistema que corrigem vulnerabilidades críticas.

  1. Governança de IA e dados

Eduque os colaboradores sobre o uso seguro de IA. Crie políticas claras sobre quais dados podem ser inseridos em ferramentas como ChatGPT e quais são estritamente confidenciais. A proibição total geralmente leva ao uso oculto, já a educação leva ao uso seguro.

  1. Transforme todos em sensores de segurança

Empodere o usuário. Mostre que ele é a primeira linha de defesa, e não o elo mais fraco. Crie canais fáceis e sem burocracia, como um botão de reportar phishing no e-mail, para que qualquer funcionário possa reportar uma atividade suspeita sem medo de represálias.


O papel da liderança na reversão do cenário

A reversão dessa tendência começa no topo. Líderes de TI e de negócios devem entender que a cibersegurança não é um problema técnico, mas um pilar de sustentabilidade do negócio.

O estudo serve como um wake-up call: o conhecimento digital é volátil. Se não for nutrido constantemente, ele se degrada. Empresas que investem na educação digital de seus times estão, na verdade, investindo na própria resiliência operacional, reduzindo a probabilidade de incidentes graves causados por erro humano.


Fortaleça sua cultura de segurança com a Tecnocomp

A tecnologia é essencial, mas a cultura é soberana. Combater a queda no conhecimento digital exige uma abordagem holística que combine ferramentas de ponta com processos de conscientização robustos.

A Tecnocomp, com mais de 40 anos de história e expertise em infraestrutura e cibersegurança, entende que a proteção real vai além do hardware e do software. Nossas soluções de segurança são desenhadas para proteger o perímetro tecnológico, mas também oferecemos a consultoria estratégica necessária para fortalecer o perímetro humano.

Sua empresa está preparada para lidar com o fator humano? Fale com nossos especialistas e entenda como podemos elevar a maturidade de segurança da sua organização.

Tecnocomp Tecnologia e Serviços © 2025–2026

Todos Os Direitos Reservados